Diego Hypólito chega ao Brasil neste sábado após participação nos Jogos
O ginasta brasileiro Diego Hypólito chega ao Brasil neste sábado depois de sua participação nos Jogos Olímpicos de Pequim. Ele, que era o grande favorito para a prova de solo, acabou tendo uma queda e ficou apenas na sexta posição. Diego faz primeiro uma parada no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, às 10h25m, e depois segue para o Rio de Janeiro, onde mora. O desembarque no aeroporto do Galeão está marcado para as 15h30m.
Após a participação no solo, Diego ficou muito abalado com o erro. Ele rejeitou o rótulo de "amarelão".
- Eu não sou amarelão. Já participei de cinco mundiais e sempre fui bem na hora decisiva. Sou um cara que gosto de decisão – disse.
Liukin resgata a beleza dos movimentos da ginástica
Nastia Liukin ganhou cinco medalhas olímpicas na ginástica com suas elegantes rotinas, contrariando a tendência de uma era em que movimentos complexos freqüentemente se sobrepõem ao aspecto artístico.
Dias depois de a direção do esporte ter divulgado uma petição para que a ginástica mantenha sua beleza, a norte-americana de 18 anos provou que era possível combinar a graça do estilo antigo com as exigências modernas de habilidades mais difíceis.
"Espero que tenha me colocado à parte das outras ginastas, em termos de valores artísticos", disse Liukin, campeã no individual geral - o que significa ser a ginasta mais completa da competição e a que obteve mais sucesso nesta Olimpíada.
"É algo que sempre tentei melhorar, porque não sou a ginasta de mais força. Não sou o estereótipo de pequena e forte e poderosa, então é uma questão de em qual parte posso ser melhor."
Desde que um novo sistema de pontuação foi introduzido na ginástica artística, depois de controvérsias em Atenas-2004, os ginastas estão sob pressão para montar suas rotinas com elementos de dificuldade com pontuação muito alta.
As rotinas não levam mais que um minuto, quase nem deixando tempo para respirar. A tendência é trabalhar uma série forte, de exercícios difíceis e com poucos elementos de ligação. E foi aí que Liukin destoou e apareceu mais.
É exatamente o que Bruno Grandi, o presidente da Federação Internacional de Ginástica (FIG), tinha em mente quando disse em Pequim que queria que o esporte continuasse "artístico".
"Liukin é uma de nossas melhores embaixadoras. Graças a seu talento natural, seu lado artístico, está mostrando o caminho para onde devemos ir", disse Grandi à Reuters.
Com 1,60m, Liukin é alta para uma ginasta e teve que reaprender suas rotinas nas paralelas assimétricas depois de dar uma arrancada no crescimento. Ela contrasta com suas companheiras de equipe como Shawn Johnson, que é baixa, com grande explosão muscular.
Filha de ginastas soviéticos, a herança de Liukin brilha através de suas performances. Seu estilo e sua constituição frágil é semelhante a Svetlana Khorkina, grande ginasta russa que se aposentou depois de Atenas-2004 e uma das primeiras a dar os parabéns a Liukin por seu sucesso.
"Ela me disse que não poderia estar mais orgulhosa de mim. Ouvir isso de uma lenda como ela realmente significa muito para mim", disse Liukin, que ainda ganhou três pratas e um bronze.
Seu pai e técnico Valery Liukin acrescentou que iminentes mudanças na pontuação da FIG deverão favorecer ginastas como ela. E ainda que espera que a filha continue no esporte.
"É a primeira vez que novas regras funcionariam em favor dela, para ser mais artística, com mais transições, exatamente no que ela é excelente. Espero que se mantenha competindo ainda por alguns anos", disse ele.
Convidado, Diego Hypólito desiste de participar de apresentação em Pequim
Apesar de dizer que estava orgulhoso por ter recebido o convite para o FIG Gala, uma exibição que contou com apresentações dos medalhistas olímpicos da ginástica nesta quarta-feira, Diego Hypólito desistiu de participar do evento.
O ginasta, que se apresentaria no solo, surpreendeu a presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, Vicélia Florenzano.
- A Vicélia falou que era uma pena ele não participar. Foi um reconhecimento da Federação Internacional, já que, normalmente, apenas medalhistas de ouro e poucos convidados se apresentam. Ela ainda tentou reverter a situação, mas já tinham encaixado outro ginasta no lugar dele – conta Eliane Martins, chefe da equipe de ginástica em Pequim, por telefone.
Em entrevista coletiva na terça-feira, Diego Hypólito afirmou que não sabia se faria a mesma série que utilizou na final olímpica (quando caiu na última passada e terminou em sexto lugar) por estar acima do peso (o que costuma acontecer com os ginastas após a fase de treinamentos pesados), mas disse se sentir honrado por participar do evento. No entanto, segundo Eliane Martins, na última hora, ele decidiu recusar o convite. Nesta sexta-feira, o atleta embarca junto com a equipe de ginástica artística de volta para o Brasil.
Presidente da FIG critica COI por desempate polêmico na ginástica
O presidente da FIG (Federação Internacional de Ginástica) criticou publicamente o COI (Comitê Olímpico Internacional) pelo critério de desempate usado na modalidade nos Jogos de Pequim. Em razão do novo formato, estabelecido desde Atlanta-1996 mas usado apenas nas Olimpíadas de 2008, dois atletas não puderam ficar com o ouro, apesar de tirarem as notas mais altas em finais por aparelhos disputadas na última segunda-feira.
A primeira prejudicada foi a norte-americana Anastasia Liukin, que obteve os mesmos 16,725 pontos da chinesa He Kexin nas barras assimétricas, mas teve de se contentar com a prata. Logo em seguida, o francês Thomas Bouhail também ficou apenas no segundo lugar, embora tenha tirado os mesmos 16,537 pontos de média do polonês Leszek Blanik na final masculina do salto.
"Para mim, isso não é correto", afirmou Bruno Grandi, presidente da entidade que controla a ginástica mundialmente. "Quando duas pessoas chegam ao mesmo nível, por que não proclamarmos ambos campeões? Creio que o correto seria dar duas medalhas, mas essa é apenas minha modesta opinião. O COI vê as coisas de outra maneira".
Segundo o novo critério de desempate, somam-se as deduções dos juízes à nota de execução dos ginastas, que parte de 10 pontos e é reduzida a cada falha cometida durante a apresentação. Quem tiver a menor soma em deduções será decretado campeão.
A polêmica foi maior na decisão das barras assimétricas. Após a divulgação do resultado final, Anastasia Liukin ficou visivelmente insatisfeita com sua segunda colocação. Seu pai e técnico, Valery Liukin, reclamou do critério.
"Não sei se alguém entende o que está se passando", indignou-se o ex-ginasta. Valery, coincidentemente, dividiu o ouro na prova de barra fixa em Seul-1988 com Vladimir Artemov, ambos atletas da extinta União Soviética. "Eu empatei nos meus Jogos, mas suponho que já não queiram mais isso".
Último dia da ginástica consagra China e Liukin; Shawn Johnson leva 1º ouro
Daqui a alguns anos, quando quiserem falar sobre os resultados da ginástica artística nos Jogos de Pequim, poderão pegar o último dia como um retrato quase exato de toda a competição: uma campanha irrepreensível da China, a consagração de Anastasia Liukin, o fracasso de Fei Cheng e a confirmação de Shawn Johnson.
Três finais por aparelhos foram disputadas nesta terça-feira, encerrando o calendário da ginástica nestas Olimpíadas. Na decisão das barras paralelas, a primeira do dia, Xiaopeng Li tornou-se bicampeão olímpico (venceu também em Sydney-2000) e faturou o oitavo e último ouro da China na modalidade em Pequim.
Último a se apresentar na rotação, Li mostrou que ainda não tem adversários a sua altura. Com uma atuação quase impecável, o chinês somou 16,450 pontos, deixando para trás o sul-coreano Wonchul Yoo (16,250) e o uzbeque Anton Fokin (16,200). A decepção da prova ficou por conta do esloveno Mitja Petkovsek. Atual bicampeão mundial, o europeu cometeu uma falha grave durante sua apresentação e teve de se contentar com o quinto lugar.
E se o dia começou com um ouro chinês, terminou da mesma forma. Kai Zou, que havia se aproveitado das falhas de Marian Dragulescu e Diego Hypólito para ficar com o ouro no solo, repetiu a dose na barra fixa, desbancando favoritos como Fabian Hambuechen, da Alemanha, e Igor Cassina, da Itália. O ginasta local somou 16,200 pontos. A prata ficou com outro azarão, o norte-americano Jonathan Horton (16,175), seguido por Hambuechen (15,875), campeão mundial. Cassina, campeão olímpico em Atenas-2004, terminou em quarto lugar.
O êxito chinês mostra o resultado do grande investimento feito pelo país na ginástica artística visando aos Jogos de Pequim. Além disso, torna-se um bom negócio na disputa direta com os Estados Unidos na briga pela liderança do quadro olímpico de medalhas. Até esta terça, quase um quinto dos ouros chineses em Pequim (nove em 41) veio da ginástica artística.
A outra decisão do dia era a mais aguardada. Na trave de equilíbrio, mais uma vez Fei Cheng, Anastasia Liukin e Shawn Johnson travaram batalha acirrada nas primeiras colocações, acabando com as chances de pódio das adversárias.
Cheng, que caiu em suas apresentações de solo e salto, fez uma performance boa, tirou 15,950 pontos e ficou com a liderança até que Johnson se apresentasse. Nessa hora, a norte-americana voltou a mostrar a bela série apresentada nas eliminatórias e na final do individual geral, ficando com 16,225 pontos e roubando a liderança da ginasta local. Liukin foi a penúltima a se apresentar e, novamente, fez uma performance correta. Ficou com 16,025 pontos e não conseguiu tirar o ouro da compatriota, mas desbancou a chinesa.
Johnson, que chegou a Pequim como candidata a ser a maior estrela da ginástica nos Jogos, ficou com apenas essa medalha dourada, além das pratas por equipes, individual geral e solo. Anastasia Liukin, por sua vez, chegou a sua quinta insígnia, quase um recorde. Foi ainda campeã do individual geral, prata por equipes e nas assimétricas e bronze no solo.
Já Fei Cheng encerra sua segunda participação olímpica com apenas um ouro por equipes e os bronze de trave e salto, muito pouco para quem era tida como a grande aposta da China na ginástica. Aos 20 anos, ela deve se despedir de Olimpíadas, já que a renovação na ginástica chinesa é constante.
Com monólogos a cada pergunta, o ginasta Diego Hypólito falou com a imprensa dois dias depois da queda, do sexto lugar e de ficar sem palavras na final do solo das Olimpíadas. A frase mais marcante foi: "Não sou um amarelão. O que aconteceu foi uma fatalidade."
Mas, na entrevista coletiva na Vila Olímpica, a declaração mais reveladora aconteceu quando tentava achar explicação para o mau resultado, descartando que o problema tenha sido a pressão, o nervosismo ou falta de concentração. Nas entrelinhas, apesar de negar também o excesso de confiança, disse que este tenha sido um fator para o erro.
"Talvez pode ter faltado mais pé no chão, não ter criado tanta expectativa nisso. Muitas famílias pararam para ver uma medalha certa, até eu acreditava. É como se o Brasil todo subisse comigo no solo. O triste é que muita gente contava, não só eu...o treinador, a família, a federação, a torcida e os patrocinadores", listou diante dos microfones.
Ele não chorou, mas ficou com os olhos marejados quando lembrou sua trajetória até ali. "Tive dengue, sofri uma operação, ainda houve um acidente de carro, um assalto. Mas Deus não quis. Usei todas as minhas armas, mas Deus decidiu isso. Ele deve estar reservando alguma coisa para mim." O choro não veio, e o único líquido que escorria de seu rosto era o suor por dar entrevista ao sol em nome de uma boa luz para as câmeras de TV.
O ginasta afirmou que não pensou em abandonar a modalidade em nenhum momento e que vai usar a folga agora para refletir sobre o que aconteceu. Afinal, mostrou que ainda não digeriu o resultado. "O mundo não acabou, tenho 10 ou 12 anos mais de carreira, mais três Olimpíadas para participar"
Diego contou que não dormiu direito, pensando no que aconteceu. "Não vou sair. Não vou enlouquecer. Estou ferido, mas não existe trauma. Se tivesse medo, não poderia dar as acrobacias que dou no ar. A ferida fica, mas o Diego está inteiro, está vivo. Eu não sou um coitado. Não vou desistir. Mas no meu coração falta alguma coisa", confessou o atleta que era apontado como favorito para o ouro e com a nota de 16,20, que faria sem a queda, seria o primeiro, lugar em que ficou na fase inicial.
Quando a pergunta foi o que pensou no momento do erro, ele se abriu. "Na hora pensei: `caramba, eu não acredito´. Ali o mundo caiu. Achei que tinha cravado os pés e coloquei a bunda no chão. No momento mais preciso e decisivo, eu falhei. Senti muita tristeza pela queda", confessou.
Ele afirmou que está "muito fragilizado" e que está "sem chão", mesmo 48 horas depois da decepção olímpica. Diego voltou a pedir desculpas - uma das poucas declarações que conseguiu conceder após seu desempenho de domingo. "Vivia meu melhor momento, sem dores, treinando muito e saltando bem. Agora estou fragilizado, mas sempre dei a cara para bater e estou aqui falando com vocês", sentenciou.
Chinesa bate americana no desempate e ganha ouro nas barras assimétricas
A chinesa He Kexin se sagrou nesta segunda-feira campeã olímpica nas barras assimétricas dos Jogos de Pequim. Kexin somou 16.725, o mesmo que a americana Nastia Liukin, e ficou com o ouro por ter errado menos na prova. O bronze foi para a também chinesa Yang Yilin, que somou 16.650.
A 11 dias dos Jogos de Pequim, He Kexin foi envolvida em uma polêmica quanto a sua idade. De acordo com reportagens antigas, Kexin teria menos de 16 anos, o que a impediria de competir nos Jogos, por estar abaixo da idade mínima. O Comitê Olímpico Internacional (COI), porém, entrou na polêmica garantindo que a ginasta chinesa preenchia os requisitos mínimos para disputar a prova.
A China lidera o quadro de medalhas da ginástica artística, com sete ouros, uma prata e três bronzes. Os Estados Unidos estão na segunda colocação, com um ouro, quatro pratas e dois bronzes. O Brasil já encerrou sua participação na ginástica e ficou sem medalhas.
A despedida da equipe brasileira de ginástica artística dos Jogos Olímpicos de Pequim sem medalhas na bagagem marcou o fim de uma era. Agora, com a iminente saída do técnico Oleg Ostapenko e a dissolução da seleção feminina, a modalidade se prepara para mudanças drásticas nos próximos meses.
A principal mudança deve acontecer no comando técnico. O contrato do ucraniano Oleg Ostapenko, no comando da ginástica brasileira desde 2001, acaba em setembro. Dificilmente ele continuará no cargo.
Assim, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) decidiu dissolver a seleção brasileira. As atletas, que ficavam concentradas no centro de treinamento da entidade em Curitiba, agora voltam para os seus clubes, onde devem ficar até o final do ano.
"Depois de tanto tempo, voltar para casa tem um gostinho especial. Eu vou estar com a minha família e com o meu clube, mas o rendimento vai cair um pouco. De qualquer forma, o rendimento sempre cai depois das Olimpíadas", disse Jade Barbosa.
A ginasta também comentou a saída de Ostapenko, que em sua passagem pelo Brasil ficou marcado pelas broncas que dava às atletas assim como pela nítida evolução que deu à seleção.
"Quando ele for embora a gente não vai lembrar das coisas ruins. Tudo o que foi ruim agora não importa mais. O que importa é que o Brasil evoluiu nos últimos anos", declarou Jade.
De saída da seleção, Daiane dos Santos acredita que o Brasil deve seguir os ensinamentos deixados por Oleg. "Temos que aprender a usar o que aprendemos com ele. Não tem porque mudar, tem que manter a mesma cabeça."
Com Ostapenko no comando da seleção feminina, o Brasil conquistou um inédito título mundial no solo, obtido por Daiane dos Santos. A equipe também se classificou para os Jogos Olímpicos, algo que nunca havia acontecido anteriormente.
Entretanto, a passagem do treinador ucraniano pelo país não resultou em medalhas olímpicas. O mais perto que o país chegou foi em Atenas-2004, quando Daiane dos Santos, favorita no solo, acabou em quinto lugar.
China fatura mais dois ouros e chega a sete na ginástica artística
A China chegou nesta segunda-feira a sua sétima medalha de ouro na ginástica artística dos Jogos Olímpicos de Pequim. Atletas do país-sede das Olimpíadas sagraram-se campeões de duas das três finais por aparelhos realizadas hoje, não obtendo uma terceira insígnia dourada porque não havia chineses na decisão do salto masculino.
O primeiro a triunfar foi Yibing Chen, nas argolas. Qualificado com a melhor nota, o atual bicampeão mundial entrou como franco favorito e não decepcionou a torcida local: obteve 16,600 pontos e ficou com a primeira colocação. E para delírio chinês, a medalha de prata também parou nas mãos de um atleta anfitrião, Wei Yang, que somou 16,425 pontos e chegou a sua terceira medalha em Pequim (foi ainda campeão por equipes e no individual geral).
O terceiro colocado foi o ucraniano Oleksandr Vorobiov, ginasta jovem, com pouca experiência internacional, mas com bons resultados recentes. Sua nota final foi 16,325 pontos. O destaque negativo da prova foi a oitava e última colocação do búlgaro Iordan Iovtchev, que tentava sua terceira medalha olímpica consecutiva depois do bronze em Sydney-2000 e da prata em Atenas-2004.
A disputa seguinte era a mais aguardada do dia: barras assimétricas. Das oito finalistas, três tinham títulos mundiais no aparelho. Isso sem contar os ouros em Campeonatos Europeus e etapas de Copa do Mundo.
Mas a primeira colocação ficou com uma ginasta que começa a surgir agora no cenário internacional. He Kexin, envolvida em séria polêmica a respeito de sua idade, já que teve de provar que tinha 16 e não 13 anos, como se especulou, confirmou o favoritismo desenhado pelo retrospecto recente em competições internacionais. A jovem ginasta, primeira a se apresentar, fez série praticamente impecável e tirou 16,725 pontos.
A nota altíssima ainda foi alcançada pela segunda ginasta a realizar uma performance, a norte-americana Anastasia Liukin. A ginasta também ficou com 16,725, mas teve de se contentar com a medalha de prata, pelo critério de desempate. No final das contas, contente foi tudo que Liukin não ficou. A norte-americana, que nasceu na Rússia mas se naturalizou, mostrou clara insatisfação após a divulgação do resultado final. Ainda assim, faturou sua quarta medalha em Pequim: ouro no individual geral, prata por equipes e bronze no solo.
Assim como nas argolas, a China também faturou uma segunda medalha nas barras, o bronze da jovem Yiling Yang e seus 16,650 pontos.A nota tirou do pódio a campeã mundial de 2006 e líder do ranking, Elizabeth Tweddle, do Reino Unido, e a russa Ksenia Semenova, atual campeã européia e mundial.
A prova que encerrou o dia, o salto masculino, também viu um empate nas primeiras colocações. O francês Thomas Bouhail, de 22 anos, liderava a competição com 16,537 pontos até que o veterano polonês Leszek Blanik, campeão mundial da prova e bronze nos Jogos de Sydney, tirou a mesma nota e assumiu a ponta pelo critério de desempate, deixando o ginasta da França com a medalha de prata. O bronze foi para o russo Anton Golotsutskov (16,475), bronze no solo.
Destaque negativo para o romeno Marian Dragulescu, que já havia caído na final do solo, ontem, onde era um dos favoritos ao lado do brasileiro Diego Hypólito, e voltou a ter uma queda nesta segunda, ficando em quarto lugar com 16,225 pontos. Não fosse a falha, o europeu certamente conseguiria um lugar no pódio.
Daiane brinca após pisar fora do tablado: 'Preciso diminuir o meu pé'
Daiane dos Santos arriscou no solo. Foi para o tudo ou nada. E assim como Atenas pisou fora do tablado. Duas vezes. Veio a nota: 14.975 pontos e o sexto lugar. Mas a sensação era de alívio, não de decepção. A ginasta estava ciente de que havia feito o melhor. E até brincou com a falha na apresentação.
- Preciso diminuir o meu pé. Assim acho que fico lá dentro (risos) - disse Daiane lembrando que o objetivo em Pequim era chegar à final.
Comendo uma barra de chocolate na saída do ginásio e relaxada ao lado da amiga Jade, Daiane lembrava da final no solo. A romena Sandra Izbasa ganhou o ouro, com 15.650. Mas a cena que marcou era outra. Que Daiane conhece bem. Enquanto as atenções estavam voltadas para a comemoração da campeã, ela se dirigiu até a chinesa Fei Cheng, melhor da fase de classificação e favorita ao ouro, mas que errou durante a série e caiu. Chorando, sozinha e esquecida pelo público, Fei Cheng sentia o peso da decepção de um país inteiro. Como aconteceu com Daiane em 2004. Um abraço e algumas palavras de apoio serviram como consolo.
- Fui falar para ela não chorar e levantar a cabeça. É muito difícil para um atleta que treina quatro anos. Só a gente sabe como é complicado. Ela errou no final quando estava com a medalha quase ganha - disse.
Daiane considera que as duas pisadas fora do tablado não a tiraram da luta por uma medalha.
- Fiz o meu melhor. As notas foram muito altas. Mesmo se não tivesse pisado fora não ia dar. Ia ficar ali com o quarto ou quinto lugar - disse Daiane, que deveria ficar com uma nota na casa dos 15.300 (a americana Nastia Liukin, que ficou com o bronze, recebeu a nota 15.425)
Apesar da expectativa, a ginástica brasileira deixa Pequim sem medalhas. Mas Daiane está feliz com o desempenho das atletas brasileiras.
- Conseguimos quebrar barreiras aqui em Pequim. Cada Olimpíada que passa nós vamos melhorando. Meu objetivo era entrar na final do solo. Mas a chance de conquistar medalha era bem diferente do que em Atenas.
Aos 25 anos, Daiane deu adeus aos Jogos Olímpicos em Pequim. Ela não tem planos para estar em Londres, em 2012. Mas não fala em aposentadoria. Após as Olimpíadas, ela vai se mudar e começar a treinar em São Paulo.
- Vou continuar até o fim do ano, com certeza. Até porque quero disputar a "super final". Depois disso não sei ainda o que vou fazer. Mas não significa que vou passar no fim do ano. Apenas não sei ainda o que vou fazer.
'Estou muito preocupada com o Diego', diz a presidente da CBG
A reação de Diego Hypólito após o erro na prova de solo em Pequim deixou preocupada a equipe brasileira de ginástica. Vicélia Florenzano, presidente da Confederação, disse que está espantada com o estado emocional dele.
- Estou muito preocupada com o Diego. Ele se implodiu depois da derrota. Acho que a Daiane estava muito mais preparada para isso em 2004 do que ele agora. São personalidades diferentes. Todo mundo precisa ajudá-lo - diz.
Vicélia conta que tentou fazer Diego levantar a cabeça após a prova. Diz que botou a mão no queixo do ginasta e forçou uma troca de olhares, mas que logo em seguida ele desabou de novo.
- Falei para ele que o que acabou foi o ciclo olímpico, não a vida. Ele tem tudo para disputar Londres. É claro que não vai ficar feliz de um dia para o outro. Mas fiquei preocupado com a forma como ele sentiu tudo isso - diz.
A presidente da Confederação Brasileira de Ginástica conta ainda que o ex-nadador Djan Madruga, hoje secretário nacional de esporte de alto rendimento, ligou para ela e mandou um recado para Diego.
- Ele falou que todo atleta, antes de chegar ao topo, passa uma vez pelo fundo do poço - diz.
Daiane dos Santos não viu a prova de Diego. Concentrada para disputar a final do solo, ela percebeu que alguma coisa havia saído errado.
- Estava no aquecimento e comecei a ouvir os aplausos da apresentação dele. Aí, no fim, ouvi aquele grito de decepção da torcida. Encontrei o Diego em um corredor, ele estava chorando muito com a Daniele do lado e eu não falei nada. Depois, o Oleg (técnico) quis falar alguma coisa comigo e eu pedi para ele não me contar o que havia acontecido - diz.
Com a experiência de quem passou por uma situação semelhante em Atenas -2004, Daiane diz que tem apenas um recado para dar a Diego.
- Infelizmente ser favorito não quer dizer que você vai ganhar a prova. Ele é o melhor, não tenho dúvida. Ele estará em Londres-2012 e eu vou torcer muito para ele conseguir uma medalha. Agora, acho que ele tem que se isolar um pouco - diz.
Daiane e Jade felizes com resultados em Pequim, mas tristes por Diego
Daiane dos Santos e Jade Barbosa se despedem de Pequim satisfeitas com os resultados conquistados. Neste domingo, Jade terminou em sétimo na final do salto, e Daiane foi sexta colocada na final do solo. Mas a tristeza veio com a notícia da queda de Diego Hypólito.
- Estou bem feliz com o resultado no geral. Estou feliz com as meninas. A gente quebrou muitas barreiras aqui – disse Daiane referindo-se a primeira classificação brasileira por equipes para uma final olímpica.
Finalista no individual geral, no salto e por equipes, Jade também gosta de seu desempenho em Pequim. No entanto, sabe que poderia ter tido resultados melhores.
- Estou satisfeita. Alcancei o meu objetivo, que era chegar à final no individual. Meu salto poderia ter sido bem melhor, mas estou satisfeita - disse Jade.
Só a notícia que Diego Hypólito sofreu uma queda e ficou em sexto lugar desanimou as ginastas brasileiras.
- O Oleg (técnico da equipe feminina) me contou que ele caiu na última passada. É muito complicado. Você treina quatro, cinco, oito anos para alguma coisa e não acontece. O mesmo aconteceu com a Cheng (a chinesa Fei Cheng), que era favorita no salto – comentou Daiane, que não viu a queda do companheiro.
Terminado mais um ciclo olímpico, sobram dúvidas para a ginástica brasileira. A permanência do ucraniano Oleg Ostapenko à frente da seleção é incerta e também não se sabe se o modelo de equipe permanente será repetido para Londres-2012. Eliane Martins, supervisora da Confederação Brasileira de Ginástica, prevê alguns meses de indefinição.
- O Oleg vai para a Ucrânia e volta para o Brasil em setembro. Aí vamos conversar com ele e ver o que vai acontecer - diz.
Vicélia Florenzano, presidente da Confederação, confia na permanência de Oleg. Diz que ele comprou um apartamento em Curitiba e pode continuar morando na cidade. Para Daiane dos Santos, a ginástica brasileira pode sobreviver sem ele.
- Se ele não ficar, vamos usar tudo o que aprendemos com ele. Não podemos perder todo esse aprendizado - diz ela, que considera um retrocesso o fim da equipe permanente.
Eliane fez uma avaliação negativa do rendimento da equipe brasileira em Pequim.
- No final, o resultado não foi o que a gente desejava. Conseguimos melhorar no feminino e chegar à final, mas esperávamos muito sair com uma medalha - diz.
Para ela, uma evolução maior da ginástica brasileira só vai acontecer quando a base de praticantes aumentar.
- Esporte tem base na escola. Os outros países podem escolher cinco que vão às Olimpíadas em um grupo de centenas de atletas. Nós tínhamos nove para escolher cinco - diz.
Daiane dos Santos não leva medalha, mas ‘Brasileirinho’ agita
Aos 25 anos, a brasileira Daiane dos Santos se despediu das Olimpíadas com um honroso sexto lugar no solo. A gaúcha, que chegou a Pequim desacreditada, somou 14.975 pontos e não conseguiu superar seu desempenho em Atenas, quando foi a quinta na decisão, mas voltou a empolgar ao som de “Brasileirinho”.
A romena Sandra Izbasa, última a se apresentar, fez valer a tradição de seu país e conquistou o ouro, com 15.650. Já a americana Shawn Johnson amargou a terceira prata na competição (equipes, individual geral e solo), com 15.500. Sua compatriota Nastia Liukin, campeã olímpica individual geral, ficou com o bronze ao somar 15.425 pontos. A chinesa Fei Cheng, melhor da fase de classificação, decepcionou ao cair durante sua apresentação. Ela, que já tinha cometido um erro fatal no salto, recebeu a nota 14.550 e ficou em sétimo lugar, mas emocionou o público com suas lágrimas.
Jade Barbosa evita série mais difícil, mas não as quedas
Era a terceira decisão olímpica de Jade Barbosa em menos de uma semana. Para evitar erros na final do salto, ela preferiu evitar sua série de maior dificuldade. Mas não conseguiu escapar de quedas em suas duas apresentações, que lhe renderam a nota 14.487 e o sétimo lugar.
O ouro ficou com a norte-coreana Hong Un Jong que somou 15.650. A veterana Oksana Chusovitina, da Alemanha, levou a prata com 15.575. Bicampeã mundial, a chinesa Fei Cheng também caiu e teve que se contentar com o bronze (15.562).
Apesar da decepção, Jade se despede das Olimpíadas com o melhor desempenho individual de uma ginasta brasileira da história. Estreante, ela ficou entre as dez atletas mais completas do mundo e foi importante para a classificação inédita da equipe brasileira para a final.
Na final do individual geral, Jade teve que arriscar seu salto mais difícil para conquistar uma boa colocação. A queda, na última sexta-feira, deixou uma lição. Desta vez, ela não arriscaria, para evitar erros.
Jade começou bem no primeiro salto, mas, na hora da chegada, caiu de joelhos. Diante do ginásio lotado, teve que lutar contra as lágrimas para se apresentar pela segunda vez. Tensa, cometeu o mesmo erro na segunda série. Ao sair, já sabia que não teria chances de chegar ao pódio. Com os descontos, somou 14.487 pontos, contra 15.050 conquistados na fase de classificação.
Favorita, a bicampeã mundial Fei Cheng deu show no primeiro salto, caiu no segundo e, apesar da nota 15.562, deixou o local logo em seguida. A russa Anna Pavlova, por sua vez, teve a segunda série zerada pelos juízes, que consideraram seu segundo salto idêntico ao primeiro.
Em seguida, a veterana Oksana Chusovitina, de 33 anos, fez o público vibrar com sua felicidade após duas execuções excelentes e a nota 15.425. Quarta colocada no Mundial de Stuttgart-2007, Hong Un Jong entrou confiante após a queda de Fei Cheng, sua principal concorrente. Ironicamente, utilizou uma acrobacia que leva o nome da chinesa para garantir 15.650 pontos e o ouro em sua primeira participação nos Jogos.